segunda-feira, 27 de abril de 2026
Entre ruínas, espelhos e a difícil arte de reaprender a existir
terça-feira, 19 de dezembro de 2023
Atualizações de um náufrago
Faz muito tempo que eu não apareço aqui e muita coisa mudou na minha vida desde a ultima vez que escrevi. Escrevendo essa ultima sentença, percebo o quão engraçado é o fato de que as coisas sempre mudaram. Quando eu comecei esse blog em 2011, eu estava em meio a uma mudança e depois um monte de outras mudanças se seguiram e eu também acabei mudando e assumindo vários papéis nesse meio tempo. Mas os últimos dois anos mudaram completamente tudo em mim e isso talvez seja uma das coisas mais aterrorizantes da minha vida.
Eu não quero me aprofundar tanto nos fatos, mas de modo resumido, eu posso falar que tudo mudou: Meus pais entraram em um processo de separação litigiosa, eu saí da minha cidade natal, terminei algumas relações pessoais e descobri que pessoas que eu amava muito não eram exatamente o que eu pensei que elas fossem. De certa forma tudo isso fez com que eu perdesse completamente qualquer noção de quem eu era e desconfiasse completamente da minha capacidade de entender o mundo a minha volta e a minha confiança. Tudo tinha mudado e de repente, eu me vi completamente sozinho e perdido. Por muito tempo eu senti e na realidade ainda sinto que alguma coisa dentro de mim se quebrou. De muitas formas, eu já não me sinto o mesmo e isso ainda me assusta.
A terapia tem me ajudado a me manter vivo, mesmo quando as vezes eu só consigo pensar em acabar com tudo. Existem manhãs que são mais difíceis que outras, mas eu sigo. Talvez não tanto pelos motivos certos, mas eu continuo aqui. Queria poder dizer que já me sinto inteiro e feliz e que as coisas vão bem, mas na realidade, acho que nunca me senti tão perdido. Fazem dois anos que eu não consigo sonhar de verdade. Não me sinto bom em nada e não faço mais planos. Não existe nada que eu realmente queira. Meus sonhos morreram alguns anos atrás. A única certeza é a mudança e eu tenho aceitado isso. Vivendo eternamente nessa corda-bamba, tentando equilibrar a vida para não machucar ninguém. Continuo vivo, mas a sensação de ser sempre menos.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
RECONEXÕES
![]() |
| Peter Paul Rubens- Vênus, Cupido, Baco e Ceres (1613) |
“O pensamento sistêmico não nega a racionalidade científica, mas acredita que ela não oferece parâmetros suficientes para o desenvolvimento humano e para descrição do universo material, e por isso deve ser desenvolvida conjuntamente com a subjetividade das artes e das diversas tradições espirituais.”¹
quinta-feira, 6 de março de 2014
Para alguém que se foi...
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
Afinal, o que é um artista?
![]() |
| Piet Mondrian. Composição em Vermelho, Azul e Amarelo. 1930. Oléo sobre tela, 51cm x 51cm. Coleção de Sr. e Sra. Armand P. Bartos, Nova York |
![]() |
| Judith Leyter. Menino com Flauta.1630-1635. Óleo sobre tela, 1,60mX2,49m. Museu Nacional, Estocolmo. |
![]() |
| Vincent Van Gogh, Campo de Trigo com Corvos, Óleo sobre tela 50,5 cm X 103 cm. Van Gogh Museum. Amsterdã. |
![]() |
| Jackson Pollock. Um (Numero 31,1950). 1950. Óleo e tinta esmaltada sobre tela, 2,69 m X 5,32m. MoMa, Nova York. |
O dadaísmo representa a grande ruptura artística da nossa época, o movimento que surgiu por volta de 1916 na cidade de Zurique e que era liderado por artistas como o poeta judeu Tristan Tzara , Hugo Ball e Hans Arp, questionavam através das suas obras totalmente nonsense a irracionalidade de uma época marcada pela guerra. Segundo Jorge Glusberg em “A arte da Performance”, o futurismo, a intervenção artística “Untitled Event”, organizada pelo compositor, teórico musical e escritor americano John Cage, assim como também a Action Paiting do anteriormente citado Jackson Pollock foram essenciais para o surgimento do que hoje conhecemos como “Performance Art”.
![]() |
| Yves Klein. Salto no Vazio. 1962. Nice, França. |
Surgida na década de 60, a performance art é um mudança total na forma como produzimos arte. A arte da performance destruí a ultima fronteira entre obra e criador ao colocar o próprio artista dentro da obra. Mas como alerta Glusberg:
“Pode-se talvez, a partir daí chegar a conclusão de que este tipo de arte enfocada é uma arte egomaníaca. O artista usando a si próprio exclusivamente como material- conteúdo, deve ser pensado como uma extrema manifestação de seu ego artístico. Contudo, se este é o caso, então tais artistas estão trilhando um caminho totalmente errado. Sua performance-body art não é glorificante. Nem é pessoal, no sentido que a própria personalidade do artista que se torna o assunto. Como manifestação, estes trabalhos não expressam nada que não seja do artista como individuo. , como pessoa, como emoção. Se alguma coisa em oposição é verdadeira, é que estes trabalhos devam se parecer muito com os trabalhos da época ancestral, do clima não controlado, e serem na verdade proposições antiegóides.” ( GLUSBERG. P.145)
Sendo assim, a arte da performance desempenha um papel vital na nossa sociedade, pois através da ação do artista, ela busca tratar de temas universais que refletem sobre o modo em que vivemos, nesse sentido, a arte da performance é uma nova forma de fazer arte, mas ainda assim trabalha com questões profundas sobre a alma humana.
Não é de se estranhar que trabalhos como o da artista performática Marina Abramovic tenha ganhado tanto prestigio e nos últimos anos. Em 2010 ela foi convidada pelo Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), para realizar uma exposição retrospectiva sobre o seu trabalho, Marina não apenas aceitou, mas decidiu produzir uma nova performance que teve a duração de 3 meses, a nova performance que também deu nome da exposição “The Artist Is Present”, consistia na simples ação da artista em se sentar em um cadeira durante 7 horas por dia enquanto o publico era convidado a sentar-se pelo tempo que quisessem em uma cadeira colocada em frente a cadeira da artista . Como Marina fala no documentário produzido pela HBO, “MARINA ABRAMOVIC: THE ARTIST IS PRESENT”, uma das principais questões desse trabalho é mostrar como é difícil em nossos tempos realizar algo que parece ser tão simples: Permanecer quieto. A artista então, se utiliza da performance para questionar o publico sobre a nossa obsessão pelo movimento. Como podemos observar pelo documentário, a performance no MoMA teve como principal mérito o poder de emocionar e em certo sentido mudar psicologicamente a experiência do publico.
Se eu pudesse definir exatamente qual o papel da arte e do artista na nossa época, eu diria que o objetivo principal da arte seria provocar nas pessoas a percepção de que temos a cada dia nos afastados da nossa consciência sobre nós mesmo e que para além do discurso capitalista ou socialista, existe um individuo que deve buscar respostas na sua própria experiência individual, na exploração e no contato com os mais diversificadas elementos culturais.
Nesse sentido, a arte deve ser engajada no sentido de fazer as pessoas perceberem que elas não precisam participar de um grupo fechado, de um partido politico, reproduzir um padrão "fashion", ou participar de uma tribo urbana para se definir. Mas talvez aplicar a ideia existencialista como apresentada por Jean Paul Sartre em suas próprias vidas através do que eu talvez chamaria de “pesquisa referencial existencial continua.” O que implicaria em um modelo de vida mais experimental e desprendida de pura e simples reprodução de cacoetes sociais, e que por si, implicaria na possibilidade de desenvolver as mais diversas capacidades do individuo
1-Existência aqui compreendida no sentido Satriano.
SARTRE, Jean Paul; FERREIRA, Vergílio; FORTES, Luiz Roberto Salinas; PRADO JÚNIOR, Bento (Trad.). O existencialismo é um humanismo; A imaginação ; Questão de método. São Paulo: Abril Cultural, 1978. 191 p.
GLUSBERG, Jorge. A arte da performance. 2. ed. São Paulo, SP: Perspectiva, 2009 145 p
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
Eu, Rilke, Sartre, Van Gogh e Lady Gaga.
![]() |
| Detalhe de autorretrato de Vincent Van Gogh, Olho sobre tela, 1889 |
Nas longas e profundas cartas que escreveu para seu irmão, Théo, Van Gogh confessa a sua paixão pela literatura. Só os livros e as cartas o distraem de sua obsessão. Para, além disso, tudo é solidão e a tentativa de aprender a aceitar sua doença. A loucura o desgasta, o fatiga. Seus poucos momentos de lucidez são cautelosos, ele precisa se alimentar e pintar. O dramático contraste com Théo é perceptível através da miséria do hospício, que ele mesmo descreve com grande realismo. Tirando a pintura, nada é logico.
![]() |
| GOGH, Van. Doze Girassóis numa Jarra. Óleo sobre tela. 91cm x 72cm. 1888 |
Sua obra é marcada por um duplo caráter, de um lado a “materialidade” e do outro a “metafisica”. Mesmo em suas naturezas-mortas podemos perceber paixão, raiva e compaixão. Simultaneamente violência e ternura.
Analisando esses fatos da nossa vida cotidiana, a mesquinharia, a nossa condição humana (demasiadamente humana, como escreveu Friedrich Nietzsche), eu tenho me prendido cada vez mais a ideia do filósofo Jean-Paul Sartre, que afirma que a existência precede a essência. As minhas leituras de parte da obra de Sartre tem me ajudado a superar parte dos meus anseios e frustrações. Aliado a isso, a leitura da obra do poeta Rainer Maria Rilke (sobretudo "Cartas para um Jovem Poeta"), tem me ajudado a explorar e questionar profundamente os meus desejos e a cutucar e colocar sal nas minhas feridas.
Lady Gaga é um outro referencial de vida. Ela é o tipo de pessoa que é extremamente amada e ao mesmo tempo odiada por muitos e desde o começo de sua carreira, ela tinha ambição de se transformar em alguém que tivesse potencial de transformar as pessoas ao redor. E de fato ela fez. Em 2011, quando lançou o seu mais que adorado/odiado/criticado e incompreendido Born This Way. Os ouvintes de musica pop não conseguiram compreender muito bem todo aquele inferno musical com vocais pesados e uma infinidade de guitarras. O disco em si lembram mais os clássicos de rock dos anos 70 e 80 que musica pop dos anos 2000.
![]() |
| Lady Gaga por Nick Knight |
Born This Way não acabou com a fome na África, não trouxe a cura para a AIDS (apesar de Gaga tocar no assunto com Electric Chapel), mas ele revolucionou o meu mundo ao fazer reviver em mim o espirito de rebeldia em defender e ser quem eu sou, pois eu nasci desse jeito. Não há nada de novo em Born This Way além do que eu já sabia, mas ele reativou aquele grito de liberdade individual que estava se calando lá dentro. Como a própria Gaga declarou:
"Born This Way é a minha resposta para muitas questões ao longo dos anos: Quem é você? De que fala você? [...] O tema mais supremo na gravação é eu tentando entender como posso existir como eu mesma, como alguém que vive entre a fantasia e a realidade ao mesmo tempo. (GAGA)"
Quem somos? Para que servimos? Para onde vamos? Todas essas questões e muitas outras sempre aparecem para a gente uma hora ou outra. Elas são essencialmente humanas e todas as culturas tentaram de alguma forma resolver essas questões seja através do mito, da arte ou da ciência. Quando eu olho em retrospectiva para o meu caminho até agora, são exatamente esses perguntas que me vem, mas a vida me deu respostas e Born This Way me deu um caminho. Quando eu olho para mim todas as manhãs no espelho do banheiro, a unica resposta que me vem em mente é "Eu estou aqui e eu nasci desses jeito". Não existe resposta mais poderosa que essa para mim.
¹ Trecho da canção "Hair" presente no album Born This Way
REFERÊNCIAS
domingo, 29 de setembro de 2013
MEU CORPO É UMA PRISÃO- ME TIREM DAQUI.
As coisas acabam se tornando existencialmente mais frustrantes quando percebemos que é basicamente impossível ter controle sobre as situações. Mesmo quando se trata de sua própria vida, você não tem 100% de autonomia. Dentro de certo contexto, eu estou sempre nessa jornada, em busca de alguém com quem eu possa me conectar. Pois nem sempre estar perto é perto o bastante.
Dentro de um contexto sexual, quando estamos a ter relações sexuais com alguém que amamos – no meu caso, isso é mera especulação - não há o sentimento de que queremos chegar o mais perto da pessoa o possível, conectar se de uma maneira tão profunda e física o possível? Estar dentro de alguém ou ter alguém dentro de você não pode nunca ser o bastante, já que obviamente a pele e as estruturas faciais separam cada indivíduo em zonas espaciais distintas. Você já quis rasgar o rosto de alguém enquanto o beijava para se sentir um pouco mais conectado? Como uma espécie de tentativa genuína de fusão fora da realidade mundana de sua residência cotidiana (ou seja, seu próprio corpo?).
Esse desejo humano para o que tem sido chamado de “corpo aberto” tem sido pesquisado e tratado por um grupo bastante radical de filósofos do século 20 (Maurice Merleau-Ponty, Georges Bataille, Michel Foucault, Slavoj Žižek). Foucault particularmente é do meu interesse, especialmente por ele apresentar um grande fetiche pelo pratica sexual sadomasoquista. Essa pratica visceral e em alguns casos sangrenta permite a sensação de ter o corpo aberto e acessível para as outras pessoas ao redor. Além disso, ele gostava de se envolver em tal pratica no que ele chamava de lugares de “não identidade”, no qual os indivíduos anônimos experimentavam se conectar através de sua “carne crua” (estamos falando de sangue e outros fluidos corporais!) para escapar do fato solitário dos seus corpos isolados.
Do mesmo modo, artistas performáticos ao longo do século 20 - muitos deles com condições médicas graves - têm visceralmente respondido a esta escola do discurso. O trabalho de Ron Athey - um artista performático gay sadomasoquista, encenou as implicações do HIV no corpo. Sua obra mais impactante, em minha opinião, é a sua subversiva reencenação do martírio de São Sebastião (1990): nu, expondo seu corpo tatuado, enquanto assistentes perfuram sua pele - incluindo o seu rosto - com setas de metal, provocando fluxos de sangue que caiam ao chão.
![]() |
| SAINT SEBASTIAN- GERRIT VAN HONTHORST |
Eu fiz essa grande volta( talvez totalmente desnecessária e cansativa) para falar sobre o bom e velho discurso sobre a “imagem” e a “essência”. Minhas ultimas analises sobre o tratamento que as pessoas costumam me dar me fizeram perceber que talvez, estejamos todos viciados na “imagem”. A imagem poderia significar alguma coisa se ela não fosse ambígua. É por isso eu me sinto preso dentro do meu corpo. Eu me sinto preso dentro da minha imagem. Se eu pudesse por um momento escolher uma imagem para mim, eu escolheria uma imagem que reflita o meu consciente interno. Seria uma imagem que apresentasse uma ideia clara sobre quem eu sou. Talvez esse texto seja desnecessário e a minha unica necessidade seja sair para fazer comprar, mas eu não sei, talvez a minha questão existencial sobre a dicotomia entre minha imagem e o meu âmago não possa ser resolvido comprando uma bermuda Calvin Klein ou uma camisa Tommy Hilfiger.
segunda-feira, 9 de julho de 2012
Relembre
Achei bem apropriado dividir com vocês esse texto, pois estive falando com alguns bons amigos sobre as coisas do meu coração por esses dias e sobre como eu me sinto inseguro a maior parte do tempo com relação aos relacionamentos. Às vezes, eu gostaria de saber o motivo pelo as pessoas que me interessam nunca sentem o mesmo por mim. Seria minha aparência? Seria minha personalidade?
Odeio essas perguntas que nunca consigo achar respostas. Mas enfim será que algum dia, alguém irá corresponder aos meus sentimentos?









